O documento, no qual o UOL teve acesso, sustenta que a atual gestão cometeu irregularidades em contratações de empresas ligadas à área de segurança e controle de acesso do clube.
Os autores pedem a abertura de processo de impeachment no Conselho Deliberativo e alegam que os episódios configuram descumprimento do Estatuto Social do Corinthians, além de possíveis violações a normas previstas na legislação esportiva e civil.
O requerimento tem como principal fundamento o caso da Mega Assessoria Operacional, empresa investigada pelo Ministério Público de São Paulo após prestar serviços ao Corinthians sem contrato formal. O documento também incorpora uma nova acusação envolvendo a contratação da Bear Security Ltda., empresa sediada no Rio de Janeiro.
CASO MEGA É BASE PRINCIPAL
O Ministério Público investiga a contratação da Mega para atuar no controle de acesso do Parque São Jorge, do CT Joaquim Grava e da Neo Química Arena entre setembro e outubro de 2025. A apuração foi aberta após surgirem questionamentos sobre a prestação dos serviços sem contrato formal e sobre a emissão de notas fiscais utilizadas para justificar pagamentos feitos pelo clube.
Documentos obtidos anteriormente pelo UOL mostram que o Corinthians realizou pagamentos à empresa que somam cerca de R$ 676 mil. O procedimento investigatório também analisa a emissão de notas fiscais que posteriormente precisaram ser substituídas após inconsistências identificadas internamente.
Os autores do pedido afirmam que a contratação ocorreu sem o cumprimento de exigências estatutárias relacionadas à formalização de despesas e aos procedimentos internos de governança. Eles sustentam que os mecanismos de controle previstos pelo clube para esse tipo de contratação não foram acionados.
A peça também menciona os desdobramentos da investigação conduzida pelo Ministério Público, que nas últimas semanas apontou divergências entre versões apresentadas por dirigentes e pelo próprio Corinthians sobre a origem da contratação emergencial da empresa.
Em despacho obtido pelo UOL, o promotor Cassio Roberto Conserino apresentou surpresa ao constatar que a empresa contratada pertencia a Fernando José da Silva, apontado pelo próprio Corinthians como um dos responsáveis pela contratação emergencial. O Ministério Público também solicitou novos documentos sobre pagamentos realizados pelo clube e determinou diligências para esclarecer a participação dos envolvidos no processo.
Os conselheiros afirmam que os fatos investigados revelam um padrão de decisões administrativas que justificaria a abertura de processo de impeachment contra Stabile.
BEAR SECURITY É FATO NOVO
Além da Mega, o pedido inclui questionamentos relacionados à Bear Security Ltda.. A empresa que passou a prestar serviços ao Corinthians durante a gestão de Osmar Stabile.
Segundo os autores, a contratação teria ocorrido sem concorrência formal. É alegada também a ausência de registros administrativos que demonstrassem o procedimento adotado pelo clube para a escolha da empresa.
O documento afirma ainda que a Bear teria recebido pagamentos do Corinthians mesmo sem possuir regularização junto à Polícia Federal para atuação na área de segurança privada. Os autores citam informações segundo as quais a empresa teria recebido aproximadamente R$ 586 mil do clube.
O grupo de oposição também sustenta que a empresa prestava serviços à família de Osmar Stabile antes de ser contratada pelo Corinthians. A alegação foi acrescentada ao conjunto de argumentos que fundamentaram o pedido de impeachment do presidente corintiano.
As informações relacionadas à Bear foram divulgadas inicialmente pelo site Sport Insider. Em resposta ao veículo, o Corinthians afirmou que a contratação passou pelos procedimentos internos de compliance do clube e que a escolha ocorreu em razão da relação de confiança existente com os profissionais envolvidos.
GRUPO REÚNE CONSELHEIROS E ASSOCIADOS
O pedido de impachment contra Osmar Stabile é assinado por um grupo de oposição à atual gestão formado por conselheiros e associados do Corinthians. Entre eles estão o ex-vice-presidente Antonio Roque Citadini, e ex-dirigentes do clube como: Fernando Perino, Marcelo Mandel e Yun Ki Lee,
Os autores solicitam que o Conselho Deliberativo receba e processe o pedido de impeachment, além de comunicar formalmente os fatos ao Ministério Público de São Paulo. O grupo também pede a realização de auditoria independente com foco em contratações emergenciais e pagamentos realizados sem contrato formal.
O novo requerimento surge em meio às investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre a contratação da Mega Assessoria Operacional e amplia a pressão política sobre a atual gestão do Corinthians.
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Fonte: Notícias ao Minuto


