Projeto Música Mariar, apoiado pela Lei Rouanet, forma meninas de 10 a 17 anos em Taquarana e aposta na cultura como ferramenta de transformação social. A ação integra o projeto Música Mariar, desenvolvido pela Casa das Marias, com apoio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura
A ação integra o projeto Música Mariar, desenvolvido pela Casa das Marias, com apoio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A aula inaugural acontece nesta quarta-feira (25), às 14h, no Ginásio Poliesportivo da Escola Municipal Maria Iraci, com apresentação da Orquestra de Professores da instituição.
Idealizado pela fundadora da Casa das Marias, Cléa Paixão, o projeto nasceu com um propósito claro: fortalecer mulheres por meio da cultura. “Nasceu do desejo de fortalecer as meninas, mulheres e idosas da minha terra natal, oferecendo novos horizontes e oportunidades. Acredito que uma mulher fortalecida diz não à violência e a tudo que não lhe faz bem”, afirma.
Mais do que ensinar música, a iniciativa atua na formação integral das participantes. As alunas e suas famílias também serão acompanhadas por assistência social e participarão de atividades formativas. A proposta inclui o desenvolvimento de habilidades musicais, como leitura de partituras, além de conteúdos voltados à cidadania, direitos das mulheres e construção de projetos de vida.
Embora esteja em fase inicial, o impacto já é visível. “Já vemos o entusiasmo e a esperança no semblante das alunas. Em uma roda de conversa, foi emocionante perceber o encantamento delas com os instrumentos. Algumas relataram sentir uma conexão imediata com a música”, conta Cléa.
A expectativa é que, ainda no primeiro semestre, as jovens estejam aptas a executar repertórios que vão da música popular brasileira ao erudito. No horizonte, há planos ainda mais ambiciosos, como uma turnê pelo estado de Alagoas.
A criação de uma orquestra formada apenas por mulheres carrega um significado que ultrapassa o campo artístico. Historicamente dominado por homens, o universo da música erudita ainda apresenta barreiras de acesso e representatividade — especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Nesse contexto, o projeto se posiciona como ferramenta de transformação cultural. “Uma orquestra composta apenas por mulheres possui um significado profundo. É uma quebra de estereótipos, um espaço de visibilidade e representatividade feminina. No caso da Orquestra Mariar, formada por meninas do interior do Nordeste, isso se torna ainda mais potente. É um grito de liberdade”, define a fundadora.
Além de democratizar o acesso à música clássica, o Música Mariar busca ampliar horizontes em uma região onde oportunidades culturais ainda são limitadas. “Quando tornamos a música erudita mais acessível, as barreiras tendem a cair”, completa.
A aula inaugural marca o início de uma nova etapa para as participantes e para a própria cena cultural local. O evento foi pensado como um momento de acolhimento e inspiração, abrindo caminho para o desenvolvimento artístico das jovens.
“O público pode esperar emoção. Será o ponto de partida para um universo sonoro que conecta, inspira e transforma”, afirma a fundadora.
O papel do incentivo na transformação cultural
Para viabilizar a iniciativa, o projeto contou com o apoio da Lei Rouanet, principal mecanismo de incentivo à cultura do país. O Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 885,7 mil. Até o momento, foram captados cerca de R$ 200 mil, o que corresponde a aproximadamente 30% do total aprovado.
Com isso, a execução ocorre de forma proporcional aos recursos disponíveis. “A Lei Rouanet é fundamental para o desenvolvimento da cultura e da cidadania no Brasil. Sem esse mecanismo e a parceria com o Ministério da Cultura, não seria possível realizar o projeto”, destaca Cléa Paixão.
Mesmo diante dos desafios de captação, especialmente no Nordeste, a iniciativa segue avançando. O primeiro apoio veio do Banco do Nordeste, que viabilizou o início das atividades.
Com a Orquestra Mariar, Taquarana passa a integrar um movimento mais amplo de democratização do acesso à cultura no Brasil — mostrando que, mesmo longe dos grandes centros, é possível formar talentos, romper barreiras e construir futuros por meio da arte.
Por Agência Gov
Fonte: AMA


