O Fórum do município de Joaquim Gomes sediou, nesta sexta-feira, 23, a audiência de instrução e julgamento do caso referente à morte do agente de saúde e mototaxista João Leodoro dos Santos, de 52 anos. O crime, que gerou intensa comoção social em Flexeiras, ocorreu em março deste ano, quando a vítima foi encontrada morta em uma área de mata fechada após dias de buscas.
A sessão foi convocada para ouvir testemunhas e acusados, etapa crucial que servirá para o magistrado decidir se os réus serão encaminhados ao julgamento perante o Tribunal do Júri Popular.
Defesa da família contesta versão de legítima defesa
Em entrevista durante a cobertura do caso, o advogado assistente da acusação, Alexandre Teixeira do Nascimento, afirmou que a tese de legítima defesa apresentada pelos suspeitos é incompatível com as provas reunidas no processo. Segundo o jurista, o conjunto probatório aponta para a ocorrência de uma emboscada premeditada.
“A tese de legítima defesa é totalmente incabível. A vítima faleceu com três disparos de arma de fogo e foi abandonada em um local de mata de difícil acesso, em um córrego no bambuzal. Além disso, a moto da vítima foi encontrada em outro local, sem a placa, para dificultar a identificação, e a arma que alegam estar com a vítima jamais foi localizada. O processo tem provas suficientes e incontestáveis para que sejam levados a júri popular“, destacou o advogado Alexandre Teixeira.
Outro ponto destacado pela acusação foi o comportamento dissimulado de um dos acusados que, após o crime, chegou a frequentar o ponto de mototáxi e simular auxílio nas buscas pela vítima antes de se apresentar à delegacia.
Dor familiar e pedido por punição integral
Irmão da vítima, Cícero Leodoro dos Santos relatou o profundo sofrimento vivido pela família ao longo dos últimos seis meses, ressaltando que o crime impediu até mesmo um velório e sepultamento dignos no momento do encerramento das buscas.
“Faz seis meses que a família vive nessa angústia constante. Trata-se de um crime bárbaro e brutal que imobilizou a cidade. Ele deixou quatro filhos, sendo dois menores de idade que estão fazendo terapia para conseguir seguir a vida. A gente cobra resposta dos órgãos competentes. Sabemos que há pessoas investigadas, mas buscamos que todos os envolvidos sejam responsabilizados e punidos“, desabafou Cícero Leodoro.
A audiência prossegue ao longo do dia para o cumprimento de todas as oitivas previstas, aguardando-se o posicionamento da Justiça sobre a pronúncia dos réus ao júri.
Texto: Alagoas 24 Horas. Publicado originalmente em Alagoas 24 Horas.

