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Ancelotti busca contato com velho artilheiro brasileiro e recorda gols dele no Napoli

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MARCOS GUEDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Ele se lembrou da minha passagem pelo Bologna e, principalmente, da minha passagem pelo Napoli”, contou Sérgio Clérice, 84, um tanto despretensiosamente, em um almoço no último domingo (24), em Araraquara, onde vive, no interior de São Paulo. “Ah, e me passa o feijão aí.”

O ex-atacante relatava a amigos o telefonema que recebera dois dias antes. Na outra ponta da linha estava Carlo Ancelotti, 66, que dividia com ele reminiscências do futebol italiano dos anos 70.

No esforço que o treinador italiano tem feito para se familiarizar com a cultura do Brasil, alguns conceitos são de mais fácil compreensão do que outros. A ideia de que um gol com falha grave do goleiro é um frango, por exemplo, ainda não foi totalmente entendida.

Mas há ao menos uma figura brasileira que é mais bem conhecida por Ancelotti do que por boa parte dos brasileiros. Trata-se de Clérice, um dos grandes artilheiros brasileiros na história do futebol da Itália.

Clérice já era um atacante bem estabelecido no país em 1976, quando Ancelotti chegou ao time profissional do Parma como meia. Àquela altura, o brasileiro era o último estrangeiro restante no Campeonato Italiano -houve uma proibição em 1966, que duraria até 1980, mas quem já estava pôde ficar.

Assim, o paulistano permaneceu 18 anos na Itália. Defendeu sete clubes (Lecco, Bologna, em duas passagens, Atalanta, Hellas Verona, Fiorentina, Napoli e Lazio) e marcou 187 gols antes de retornar ao Brasil, tornando-se treinador e depois agente.

Teve bons momentos nas duas funções -dirigiu grandes clubes, como Palmeiras e Santos, e participou de transferências marcantes, como a de Evair para a Atalanta. Mas não foi do treinador nem do empresário que Ancelotti se lembrou quando recebeu o livro “Sérgio Clerice – El Gringo, o Vilão Elegante”, recém-lançado pela editora A Bola e o Verbo.

O autor, Rodrigo Viana, enviou cópias à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), uma delas com dedicatória para Ancelotti. O italiano, então, pediu que fosse arranjada uma ligação telefônica com aquele que já foi chamado por Diego Maradona de “o número dois” da história do Napoli -não é necessário debater quem é o número um.

“É um outsider”, disse Viana, sobre seu biografado, pouco lembrado no Brasil. “Gosto do termo, apesar de ser americanizado. A gente não observou, mas o Ancelotti observou e lembrou. Esse pessoal da antiga da Itália realmente se lembra dele.”

Para o autor, um dos motivos desse apagamento é o fato de Clérice não ter defendido a seleção brasileira -ou a italiana, embora, segundo ele, houvesse a possibilidade. Outro é a cobertura insípida da imprensa do Brasil sobre o futebol internacional, com as limitações da época no trânsito de informações.

Por isso, é bem provável que nenhum dos 24 jogadores brasileiros que se apresentarão a Ancelotti nesta segunda-feira (1º), em Teresópolis, para os próximos jogos da seleção nas Eliminatórias, jamais tenha ouvido falar de Sérgio Clérice. O comandante deles sabe quem ele é.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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