Aluna de extensão da Ufal conquista bronze em olimpíada internacional de matemática

Aos 14 anos, a alagoana Lília Fernanda Sousa Costa conquistou uma medalha de bronze na Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Meninas (PAGMO, na sigla em inglês), realizada na Colômbia. Natural de Limoeiro de Anadia, no Agreste de Alagoas, a estudante integrou a delegação brasileira na competição, encerrada no último sábado (24), e ajudou o país a alcançar o quarto lugar na classificação geral, que reuniu representantes de 16 nações.

O resultado internacional é fruto da dedicação da estudante, do apoio da família e dos professores e da participação em iniciativas educacionais que ampliam o acesso ao conhecimento. Entre elas estão dois projetos de extensão do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o Novo Ensino Suplementar (NES) e o Programa Especial de Treinamento Internacional (PETI).

A trajetória de Lília também reúne conquistas expressivas em competições nacionais e estaduais. No ano passado, ela se tornou a primeira estudante alagoana a conquistar duas medalhas de ouro consecutivas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A jovem também obteve dois ouros seguidos na Olimpíada Alagoana de Matemática (OAM).

A estudante iniciou a formação escolar na rede municipal de Limoeiro de Anadia e atualmente cursa o 9º ano no Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Arapiraca.

Alagoana se destaca entre jovens matemáticas

Lília foi selecionada para representar o Brasil na PAGMO após alcançar a terceira colocação nacional em um processo que reuniu 40 das principais jovens matemáticas do país. Sua participação também contribuiu para o desempenho da equipe brasileira na competição internacional.

Outras três brasileiras conquistaram medalhas na disputa. A cearense Letícia Dias Damasceno ficou com o ouro, enquanto a piauiense Júlia Barros Soares conquistou a prata. A paulista Marina Nogueira D’Emidio também recebeu uma medalha de bronze.

A preparação matemática de Lília conta com o acompanhamento de professores especializados, como Messias Silva, além de uma rotina intensa de estudos e resolução de problemas.

Para o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, a conquista evidencia o potencial da educação pública e a importância de iniciativas que ampliem as oportunidades para estudantes de diferentes regiões de Alagoas.

“A menina Lília inspira educadores, familiares e demais estudantes a serem reconhecidos como sujeitos ativos de transformação de suas vidas. E a população alagoana pode contar com a Ufal como parceira deste esforço fundamental por inclusão e justiça social”, afirmou.

Projetos da Ufal ajudam a desenvolver talentos

Um dos responsáveis pela formação de Lília é o professor Krerley Oliveira, do Instituto de Matemática da Ufal e fundador dos programas de extensão dos quais a estudante participa.

O docente destacou a satisfação de acompanhar a trajetória da jovem e ressaltou a importância de oferecer formação gratuita e oportunidades para que estudantes da rede pública desenvolvam suas habilidades.

“Em Limoeiro de Anadia, assim como em qualquer canto desse brasilzão de meu Deus, é possível desenvolver talentos. Precisamos fazer chegar a esses jovens as condições para aprender, se desafiar e ir mais longe. Ver uma menina alagoana conquistando esse espaço também ajuda a abrir caminhos. Que outras meninas olhem para essa foto e se imaginem fazendo matemática, pesquisando e construindo seu futuro na ciência”, declarou.

Krerley também ressaltou a necessidade de ampliar o número de parceiros para garantir a continuidade das iniciativas e levar as atividades a mais estudantes.

O Novo Ensino Suplementar oferece formação complementar gratuita e de longo prazo para alunos da educação básica. O programa possibilita o contato com matemática avançada, programação, ciência de dados e outras áreas do conhecimento.

Já o Programa Especial de Treinamento Internacional busca identificar e desenvolver talentos matemáticos, especialmente entre estudantes da rede pública. A iniciativa oferece preparação para olimpíadas nacionais e internacionais, mentoria, acompanhamento psicossocial e oportunidades de formação com professores especializados.

O PETI conta com apoio financeiro das fundações Carina e Polynera, por meio do Programa de Desenvolvimento da Matemática e suas Aplicações (MATIPRO), além da parceria da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

A participação simultânea nos dois projetos aproxima Lília do ambiente acadêmico e proporciona acesso a atividades de formação avançada, mesmo para quem vive fora dos grandes centros urbanos.

Incentivo à participação feminina na matemática

A Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Meninas reúne estudantes de diferentes países das Américas e busca incentivar a participação feminina em competições matemáticas de alto nível.

A disputa segue o modelo das principais olimpíadas internacionais da área, com provas realizadas em dois dias e questões que exigem raciocínio lógico, criatividade e domínio de conceitos avançados.

A medalha conquistada por Lília reforça o potencial de estudantes da rede pública de Alagoas e demonstra a importância do investimento em educação, formação científica e extensão universitária.

De Limoeiro de Anadia para o cenário internacional, a estudante representa uma geração de jovens que encontram na matemática oportunidades para ampliar horizontes e construir novas perspectivas acadêmicas e profissionais.

Texto: Gazetaweb. Publicado originalmente em Gazetaweb.

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