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Embrapa cria calcário mais nutritivo resistente à umidade e ao vento

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um tipo de calcário que proporciona menos perdas e mais economia na preparação do plantio. O melhoramento do insumo, que é utilizado para corrigir a acidez do solo (seu potencial hidrogeniônico – pH), também possibilita ganhos de produtividade à lavoura.

O calcário recriado pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF) é um produto nanoestruturado, feito por meio de moagem de alta energia, que reduz materiais ao tamanho próximo de átomos e moléculas, e da aglutinação de partículas para formação de grânulos com mais resistência mecânica e uniformidade.

O resultado é que o calcário ganha forma granulada. Em vez de ser aplicado como pó, sujeito a dispersão pelo vento, pode ter diferentes tamanhos e ser distribuído sem sofrer com o efeito. A outra vantagem é que o novo calcário é menos vulnerável à umidade existente no armazenamento e no transporte.

A umidade empedra o calcário comum e gera perdas aos produtores porque o produto não pode mais ser utilizado no maquinário agrícola.

O trabalho dos pesquisadores do LNANO transformou o calcário em um produto multifuncional. Além de ser um corretivo para a acidez do solo, na nova formulação tornou-se nutritivo: um fertilizante misto que pode ser usado em pastagens e culturas como algodão, café, cana-de-açúcar, milho e soja.

Culturas diversas

“Nós fizemos diversos protótipos com concentrações diferentes para conseguir efetivamente atender a culturas diversas. Também foi possível combinar proporções diferentes desse calcário”, expõe o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador da Embrapa na área de nanobiotecnologia.

Com a nova formulação, o calcário rico em cálcio ou magnésio, que serve para a correção do solo, passa a poder contar com nutrientes como o nitrogênio, fosfato, potássio, boro, cobre e zinco. “Tem culturas que requerem quantidade maior de determinados nutrientes e outras, quantidade menor. Para cada cultura, há sua composição ideal”, explica o pesquisador.

Produtividade


Brasília (DF), 26/05/2026 - André Felipe Camaramaral, químico do laboratório de nanotecnologia da Embrapa que produz em caráter experimental substitutos veganos de carne vermelha, salmão e lula por meio de uma impressora carregada de massa feita do extrato de sementes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 26/05/2026 - André Felipe Camaramaral, químico do laboratório de nanotecnologia da Embrapa que produz em caráter experimental substitutos veganos de carne vermelha, salmão e lula por meio de uma impressora carregada de massa feita do extrato de sementes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Pesquisador da Embrapa Luciano Paulino da Silva diz que o calcário nanoestruturado aumenta a produtividade. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A expectativa de Silva é que o novo insumo torne a lavoura mais saudável e produtiva. “A lógica principal quando se faz uma correção de acidez e se adiciona micronutrientes ou macronutrientes em um produto é ganhar produtividade, aumentando a saudabilidade da planta em si e, consequentemente, agregando benefícios a essa cultura.”

O calcário nanoestruturado potencialmente pode diminuir a aplicação de agrotóxicos na plantação. Ainda faltam testes com pragas diferentes que garantam o menor uso desses produtos. Mas se a planta está beneficiada com os nutrientes adequados, ela pode estar mais protegida de fatores que atrapalham seu desenvolvimento.

“Funciona mais ou menos como no nosso caso. Quando estamos bem alimentados, a tendência é que o nosso sistema imunológico seja menos exposto”, compara o pesquisador do LNANO Andre Felipe Camara Amaral.

Escalas

O novo calcário já foi produzido em escalas diferentes, desde a escala laboratorial (10g) até industrial (toneladas) e teve a sua “eficiência agronômica” medida em plantações de soja e trigo.

“Os resultados indicam que os protótipos mantêm poder de neutralização adequado e oferecem potencial para ganhos de produtividade e redução de operações no campo”, registra nota técnica da Embrapa a que a Agência Brasil teve acesso.

As testagens fora dos laboratórios da Embrapa são da iniciativa da Perical, uma empresa brasileira com unidades em Goiás e Tocantins, especializada em mineração de calcário agrícola.

Há mais de três anos, a companhia assinou com a Embrapa um acordo de cooperação técnica que permitiu a contratação de pesquisadores bolsistas, a aquisição de equipamentos e o custeio de material de consumo para o desenvolvimento do calcário nanoestruturado.

A Embrapa é uma empresa estatal vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Desde sua criação, em 1973, seus cientistas pesquisam e desenvolvem tecnologias e inovações para a agricultura e pecuária.



Fonte: Agência Brasil

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