(FOLHAPRESS) – Alvo frequente de críticas pela postura considerada branda no combate ao racismo no futebol sul-americano, a Conmebol decidiu punir um jogador brasileiro de 16 anos após uma comemoração em tom de protesto contra ofensas racistas que ele afirma ter sofrido em campo.
O caso aconteceu no último dia 10 de abril, durante a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Argentina, pela quarta rodada do Sul-Americano Sub-17, disputado em Villeta, no Paraguai. O atacante Eduardo Conceição, da base do Palmeiras, acusou o meia argentino Benítez de racismo durante a partida.
Segundo o relato do jogador brasileiro, o árbitro paraguaio David Ojeda ignorou a denúncia e não acionou o protocolo antirracismo da Conmebol, que prevê paralisação e até encerramento do jogo em caso de reincidência.
Após marcar o terceiro gol da seleção brasileira, Eduardo Conceição comemorou imitando um macaco, em gesto que, segundo ele, foi uma resposta irônica às ofensas recebidas.
Nesta quarta-feira (27), o comitê disciplinar da Conmebol anunciou a suspensão de quatro meses tanto do brasileiro quanto do argentino, alegando prática de discriminação. A entidade também pediu à Fifa que a punição seja estendida para competições organizadas pela federação internacional.
A CBF, com apoio do Palmeiras, entrou com recurso contra a decisão. Para o advogado especializado em direito desportivo Higor Maffei Bellini, o contexto do episódio deveria ser levado em consideração.
“A reprodução do gesto ocorreu como forma de protesto contra uma ofensa racista sofrida anteriormente, e não com intenção de discriminar outra pessoa”, afirmou.
Caso a punição seja mantida, Eduardo Conceição pode ter a preparação comprometida para o Mundial Sub-17, marcado para novembro, no Qatar.
Após o episódio, o atacante explicou a motivação da comemoração. “Depois que sofri o ato, coloquei na cabeça que faria o gol e responderia na mesma moeda para mostrar que não me abalei”, declarou ao ge.
O caso reacende críticas à atuação da Conmebol no combate ao racismo. Em 2025, o atacante Luighi, também da base do Palmeiras, foi alvo de injúria racial por torcedores do Cerro Porteño durante a Libertadores Sub-20.
Na ocasião, o clube paraguaio recebeu punição considerada leve por dirigentes e torcedores brasileiros: jogos com portões fechados e multa de US$ 50 mil. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, chegou a cogitar a saída dos clubes brasileiros da Conmebol para filiação à Concacaf.
Semanas depois, o presidente da entidade sul-americana, Alejandro Domínguez, ampliou a crise ao afirmar que uma Libertadores sem clubes brasileiros seria “como Tarzan sem a Chita”, frase que gerou forte repercussão negativa. Depois, ele pediu desculpas públicas pela declaração.
Fonte: Notícias ao Minuto


